
Ano passado ganhei um porco azul de focinho rosa. Tão magriiiinho, coitado. Mas estampava no rosto uma carinha feliz. Me afeiçoei. “Um amigo para as horas difíceis”, pensei eu. No início era tudo festa, alimentava o bicho um pouquinho aqui, um pouquinho ali. E sorria. Eu ficava (e ainda fico) realmente satisfeita em vê-lo engordar, aumentar o peso. Olho sua carinha feliz e fico feliz também.
Todo mês, quando sobrava algum, dava de comer ao bicho azul. Mas o tempo foi passando e a grana, irresponsavelmente, sendo desviada para outras coisas. E do porco azul já não lembrava tanto. O engraçado é que ele nunca perdia a cara de feliz, o coitado. Comecei então a dá-lo o que restava ou que achava que não ia fazer falta. Era assim, hoje um tanto, amanhã nem isso e assim por diante. E de grão em grão, meus amigos... vocês já sabem. O bicho até que ficou pesadinho...
Mas como destino de porco é ir para o abate, nuvens negras se aproximaram do pobre coitado. Chegaram os dias difíceis. A consciência insistia: “Agüenta firme. Isso passa. Dias melhores virão”. Mas o porco azul já estava claramente ameaçado. E não é que o bicho era corajoso! Não tremia, não grunhia, nem perdia a bendita cara de feliz! Sinceramente, não fosse a boa surpresa que caiu na minha conta, tinha matado meu porquinho azul.
Ontem olhei para ele e ficamos ambos felizes! Alimentei-o mais um pouquinho e prometi que de agora em diante sua verba não será mais desviada, pelo menos, até o fim do ano! Porque em dezembro 13º não tem mais... e um porco gordinho pode virar um bom prato de ceia de Natal.
